Capítulo I
A entrega
Entreguei-me numa manhã de 1992, com as câmaras da SIC à porta e o país inteiro a olhar. Dois anos e meio de fuga acabavam ali, num corredor frio onde ninguém me olhou nos olhos. Tinha revalidado o passaporte em embaixadas com um mandado da Interpol em meu nome, e ainda assim foi por vontade própria que voltei.
Diziam que eu tinha assaltado o Ministério da Saúde. Diziam-no nos jornais, nas televisões, nas mesas de café, ao lado de mais onze arguidos. Trinta anos depois, um tribunal escreveu a palavra que eu repetia desde o primeiro dia: absolvido.
Este livro é tudo o que existe entre essas duas datas.
[ excerto interrompido — continua na edição impressa ]